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Tétano

3 novembro 2010 30.773 acessos

O tétano é uma doença tóxico infecciosa que acomete os animais domésticos e o homem por ação das toxinas produzidas pelo Clostridium tetani, microrganismo de distribuição mundial, gram-positivo, encontrado sob a forma vegetativa ou esporulada em função das condições de tensão de oxigênio no ambiente (RIBEIRO et al., 2000; TRINDADE, 2006).

Entre as espécies animais domésticas, estudos epidemiológicos revelam maior ocorrência de tétano em equinos (RIBEIRO et al., 2000), principalmente em países em desenvolvimento e locais onde a vacinação não é um hábito, com taxa de mortalidade variando de 59% a 80% (REICHMANN et al., 2008).

O tétano é considerado uma toxiinfecção, pois são as toxinas produzidas pelo C. tetani que desencadeiam a doença. A bactéria por si só não possui capacidade invasora tecidual, oC. tetani penetra no organismo através de ferimentos ou do aparelho digestivo e os sinais clínicos têm início entre uma e três semanas após a infecção com a liberação de tetanoliosina e tetanoespasmina, que possuem potente ação neurotóxica. (RADOSTITS et al. 2002; SMITH 2006; THOMASSIAN, 2005). A tetanoespamina é a responsável pelas manifestações clínicas da doença, sendo produzida pela forma vegetativa do C. tetani no local da lesão em condições de baixa tensão de oxigênio (RIBEIRO et al., 2000). Estas toxinas liberadas no local da infecção atuam no sistema nervoso central, promovendo contrações espasmódicas ou tetânicas da musculatura.

O período de incubação varia de três dias a quatro semanas. Quanto menor o período de incubação mais grave é o tétano.(RADOSTITIS et al., 2002).

Os equinos normalmente apresentam espasticidade muscular, resultando em movimentos rígidos dos membros ao caminhar, dispnéia e dificuldade de apreensão dos alimentos, mastigação e deglutição. As orelhas permanecem eretas e imóveis, a cabeça distendida e a cauda elevada. Outros sintomas característicos são hiperestesia e o prolapso da terceira pálpebra. Em casos mais graves, os animais adotam uma postura de cavalete, apresenta dispnéia grave, impossibilidade de ingerir alimentos, rigidez do pescoço, sudorese e seguido de decúbito (JOHNSTON, 1987). Segundo Hirsh e Zee (2003) ocorre retenção urinária e fecal, sudorese e febre alta.

Os reflexos aumentam em intensidade e o animal se excita facilmente obtendo espasmos, e mais violentos por meio de um movimento ou de um ruído súbitos. Os espasmos dos músculos da cabeça causam dificuldade na apreensão e na mastigação do alimento, daí a denominação trismo ou "mandíbula travada" (FRASER, 1997). O paciente com tétano frequentemente exibe graus variáveis de desidratação consequente à perdas de líquidos corporais por sudorese, salivação e incapacidade de ingerir líquidos e alimentos. A afecção dos músculos respiratórios pode causar hipoventilação e falha respiratória, sendo comum quadros de pneumonia (PATIÑO, 1999).

As complicações incluem pneumonia, trombose venosa, embolismo pulmonar e fraturas dos ossos da coluna vertebral causada por espasmos e contações musculares (PATIÑO, 1999).

Segundo Thomassian (2005) a morte do animal ocorre entre 5 a 15 dias após os primeiros sintomas, devido à asfixia causada pela paralisia dos músculos respiratórios, falta de alimentação e água, e finalmente por acidose.

O diagnóstico é extremamente simples e se baseia na apresentação clínica da doença, não havendo nenhuma dificuldade, por parte do Médico Veterinário, em diferenciá-la de outros estados tetaniformes. Geralmente ela se apresenta após algum evento traumático ou cirúrgico, o que deve ser lembrado no atendimento clínico do animal (THOMASSIAN, 2005).

O paciente deve ser mantido em um ambiente escuro, tranquilo e silencioso, protegido de estímulos súbitos, movimentos desnecessários ou qualquer excitação, procurar manter o animal em pé, suspenso por aparelhos adequados (PATIÑO, 1999).

A terapia visa neutralização da toxina circulante, supressão da produção de toxinas, suporte à vida e alívio sintomático do paciente (HIRSH E ZEE, 2003).

O tétano é uma enfermidade que pode ser prevenida mediante um bom manejo da ferida e uma adequada profilaxia antitetânica. Porém, é necessária clara consciência sobre o valor da vacinação (PATIÑO, 1999). A vacinação com o toxóide tetânico deve ser feita em todos os animais, aplicando-se uma dose, repete-se um mês após e novamente 5 a 6 meses após. A imunidade útil com este esquema é de pelo menos 5 anos, podendo-se realizar, quando em cirurgia ou em acidentes traumáticos, a qualquer tempo, mais uma dose de reforço para a "memória" imunológica do animal. Os potros devem ser vacinados com a primeira dose do toxóide com seis meses de idade. O toxóide geralmente é injetado por via subcutânea, porém a injeção intramuscular produz menos inflamação local (THOMASSIAN, 2005).

Desta forma, o animal que apresente os sinais clínicos de tétano descritos acima, deverá ser atendido em caráter de emergência por um Médico Veterinário, para que o tratamento seja instituído o mais breve possível, aumentando as chances de sobrevivência do paciente.

Referências:
  1. FRASER, C.M. Manual Merck de Medicina Veterinária: um manual de diagnóstico, tratamento, prevenção e controle de doenças para o veterinário. 7. ed. São Paulo: ROCA, 2169p, 1996.
  2. HATHEWAY, C.L. Toxigenic Clostridia. Clinical Microbiology Reviews, v.3, n.1, p.66-98, 1990.
  3. HISH, D. C.. ZEE, Y.C.; Os clostrídios. Microbiologia Veterinária, v.1, ed. Guanabara&Koogan, p.228-230, 2003.
  4. JOHNSTON, J. Tetanus. In: ROBINSON, N.E. Current therapy in equine medicine 2. Philadelphia: W.B. Saunders, p.370–373. 987.
  5. PATIÑO, J.F. Manejo del Tetanos. Oficina de Recursos Educacionales, FEPAFEM, Colombia, 1999.
  6. RADOSTITS, O. M.; GAY, C. C.; BLOOD, D. C.; HINCHCLIFF, K. W. Clínica Veterinária. um tratado de doenças dos bovinos, ovinos, suínos, caprinos e eqüinos. 9.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1737p, 2002.
  7. REICHMANN, P.; LISBOA, J.A.N.; ARAUJO, R.G. Tetanus in Equids: A Review of 76 Cases. Journal of Equine Veterinary Science, v.28, n.9, p.518-523, 2008.
  8. RIBEIRO, M.G.; MEGID, J.; PAES, A.C.; BRITO, C.J.C. Tétano canino: estudo clínico-epidemiológico. Revista Brasileira de Medicina Veterinária, v.22, n.2, p.58-62, 2000.
  9. SMITH, B. P. Medicina interna de grandes animais. 3.ed. São Paulo: Manole, 1728p, 2006.
  10. TRINDADE, R.R.R.; TRINDADE, W.M. Tétano felino: relato de caso. Revista Nosso Clínico, v.50, p.30-36, 2006.
  11. THOMASSIAN, A. Enfermidade dos cavalos. In:______. Enfermidades infecciosas. São Paulo: Varela, 4 ed, p.475-477, 2005.

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